O Bloco 'Tá Pirando, Pirado, Pirou' - Uma História de Desmistificação e Alegria no Carnaval do Rio
No cenário vibrante do Carnaval do Rio de Janeiro, há um bloco que desafia as convenções e traz à luz a questão da saúde mental de maneira inovadora e alegre: o Coletivo Carnavalesco 'Tá Pirando, Pirado, Pirou'. Fundado em dezembro de 2004, este bloco é um resultado direto do movimento cultural de revitalização do carnaval de rua do Rio, que buscou transformar o preconceito contra a loucura em admiração, respeito e desejo de integração[1][3].
História Completa do Bloco
O 'Tá Pirando, Pirado, Pirou' nasceu em uma época marcada pela necessidade de desmistificar a ideia de que pessoas com sofrimento mental são perigosas. A articulação inicial foi feita por trabalhadores do Instituto Philippe Pinel, um hospital psiquiátrico do Rio de Janeiro[5]. O nome do bloco foi inspirado na frase do folião Gilson Secundino: “Não vamos fazer carnaval só pra quem tá aqui dentro e já pirou, vamos pra rua brincar com quem tá pirando... Tá pirando, pirado, pirou Tá tudo mundo junto”[3]. Desde então, o bloco abriu as suas alas para a loucura no carnaval do Rio, transformando o Hospital Psiquiátrico em um símbolo de liberdade e integração.
Fundadores e Personagens Importantes
A fundação do 'Tá Pirando, Pirado, Pirou' é creditada a uma equipe diversa composta por pacientes, profissionais da rede pública de saúde mental e familiares. O psicólogo psicanalista e especialista em saúde mental Alexandre Ribeiro Wanderley é um dos cofundadores e coordenadores do bloco, sendo fundamental na sua estruturação e crescimento[1][4].
Outros personagens importantes incluem Gilson Secundino, que inicialmente articulou a ideia do bloco, e pacientes como a porta-bandeira, que é paciente do Ipub/UFRJ, e o mestre-sala, que se trata no CAPS Franco Baságlia[1].
Identidade Musical
A identidade musical do 'Tá Pirando, Pirado, Pirou' é uma mistura única de ritmos e estilos que refletem a diversidade dos seus componentes. O repertório é vasto e inclui sambas enredos criados especificamente para o bloco. Em 2024, o tema do enredo foi "Loucas, Divinas e Maravilhosas: Mulheres que Mudaram o Mundo", homenageando mulheres importantes dos cenários brasileiro e internacional, como a psiquiatra Nise da Silveira e a rainha do rock Rita Lee[1].
Tradições e Rituais
As tradições do 'Tá Pirando, Pirado, Pirou' são marcadas por rituais únicos que reúnem a comunidade local e os foliões. O desfile sempre ocorre no domingo anterior ao Carnaval oficial, começando na Avenida Pasteur, na Urca, zona sul da cidade, próximo à Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (Unirio)[1]. Após uma concentração às 14h, o caminhão de som começa a andar por volta das 16h em direção à Praia Vermelha, onde ocorre um desfile acústico com apresentações de blocos convidados e rituais como a revoada de balões de gás e shows ao vivo[1].
As fantasias tradicionais dos componentes são criadas nas oficinas de artes do bloco, destacando a personalidade e a criatividade de cada integrante. As cores oficiais do bloco não são específicas, mas a alegria e a liberdade são constantes em todas as apresentações.
Território e Pertencimento
O 'Tá Pirando, Pirado, Pirou' tem sua origem no bairro da Urca, onde se concentra a partir das 14h antes de começar a desfilar. O local tem uma significação histórica especial, pois abrigou o primeiro hospício da América Latina, fundado pelo Imperador D. Pedro II em